Preconceito silencia possíveis infectados em favelas do Rio


Que os números oficiais de contaminados pelo novo coronavírus no Brasil fogem da realidade, como as próprias autoridades dizem, não há dúvidas. Há uma série de razões para isso. Uma delas, o Terra apurou, diz respeito ao medo e preconceito de moradores de áreas carentes no Rio de dar publicidade a um caso de doença em família.

A reportagem conversou com lideranças comunitárias de três grandes favelas da cidade – Rocinha, Turano e Jacarezinho. Todos relataram vários casos de moradores locais que têm apresentado tosse, febre, falta de ar, mal-estar, entre outros sintomas que podem estar associados à covid-19, e que se isolam em casa para evitar atritos.

Há ainda entre essas pessoas o receio de contrair a covid-19 se for buscar auxílio num pronto-socorro ou hospital.

“A gente sabe disso e vive num dilema. Não pode contar para ninguém, porque a reação de um vizinho pode ser a pior possível. Quem está doente precisa de amor e atenção, mas é difícil para muita gente entender isso”, contou um líder de moradores da Rocinha, favela que já registrou oficialmente seis mortes pelo coronavírus e 53 infectados.

No Turano, outro nome representativo na comunidade disse à reportagem que “essa situação existe sim na favela, por medo de preconceito, o que é um risco para quem não busca tratamento médico”.

Há relatos semelhantes no Jacarezinho. “Nós não podemos fazer nada se a família do doente quer assim. Às vezes, tentamos conversar, mas não dão muito espaço para isso”, atestou uma liderança local. Todos os entrevistados pediram que seus nomes não fossem divulgados.

Fonte: Portal Terra redigida pelo jornalista Silvio Barsetti

Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

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