Matheusa, Presente!


Marielle Franco. Anderson Gomes. Agora, Matheus Passarelli. Ou simplesmente, Matheusa. Desaparecida desde o dia 29 de abril, Matheusa – como era carinhosamente chamada – tinha identidade de gênero não binária, quando não se considera nem homem, nem mulher. Estudante de Artes Visuais na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), segundo a polícia, a jovem foi morta e seu corpo queimado numa comunidade da zona norte do Rio de Janeiro.

Aos 21 anos de idade, a criativa estudante e ativista fazia de seu corpo um ato político. Não por acaso seu objeto de estudo dentro da área de formação era denominado “Corpo Estranho”. E, infelizmente, foi seu “corpo estranho” a vítima da vez. Em momentos tão conservadores, onde fascistas não tem mais medo de exporem suas identidades – ou quando escondem a face, não escondem o “modus operandi” com o qual trabalham – o recado que fica para pessoas que ousam desafiar como Marielle e Matheusa (sem esquecer de Anderson) é o corpo estendido no asfalto por balas. Ou queimado numa comunidade.

Matheusa entra nas estatísticas cruéis de um país que registra todos os anos mais de 60 mil mortes por homicídio. A maioria dessas vítimas é negra. Também faz parte desses números pessoas LGBT’s (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Não por sinal, o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas LGBT’s, especialmente de pessoas travestis e transexuais, relegadas a sorte e a sobrevivência por até 35 anos (!). 35 anos. Matheusa era negra, era não-binária, era jovem, era LGBT, era um “corpo estranho que desafiou normas e regras”. Hoje, seu corpo, não é mais. Mas sua vivência, sua passagem por aqui, sua vida e sua luta. Sua crença naquilo que dogmatizava nossa sociedade dentro de parâmetros estritamente morais e retrógrados, sempre será presente. Ficará presente.

Acreditamos que a resposta para tanto ódio é, sobretudo, o amor. Mas é também a resistência, é a luta, é a união, é a perseverança de que todas essas mortes, esse silenciamento forçado por quem fazia e lutava por mais igualdade, por mais direitos e o direito de ser e viver livremente não será em vão. Diante de todos esses acontecimentos, mais uma vez, o Projeto Diversidade Sexual, Saúde e Direitos entre Jovens vêm manifestar seu repúdio a mais esse ato bárbaro de intolerância em nossa cidade e país, bem como prestamos nossa solidariedade a toda a família e amigos de Matheusa Passarelli.

 

Porque hoje e sempre, Marielle Presente!

Anderson Presente!

Matheusa…Presente!

 

Texto: Jean Pierry

 

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