Jovens do Complexo do Alemão e da Penha relatam seus medos e angústias durante a pandemia do COVID-19


A pandemia de COVID-19 segue fazendo estragos pelo mundo. Isolamento social, restrições, prevenção e muito álcool gel já fazem parte da rotina da população, que vem se adequando a este novo processo de convivência a distância.

No Brasil – mesmo com as falas desumanas do presidente Jair Bolsonaro – a rotina de diversos lares se modifica à medida que crescem o número de casos. Contudo, enfrentar esses novos desafios em localidades onde políticas públicas nunca se fizeram presentes é ainda mais difícil, com tantas novas regras muitos indivíduos ainda resistem.

Mas como será que os jovens lidam com isso? Em especial jovens moradores de comunidades periféricas. Em busca de alguns relatos o Projeto Diversidade Sexual, Saúde e Direitos entre Jovens colheu alguns depoimentos, de forma virtual via redes sociais, com alguns jovens moradores do complexo de favelas do Alemão, que abriga um dos maiores conjuntos de favelas da zona norte do Rio de Janeiro.

Confira os depoimentos:

 

Thyago Oliveira, 19 anos, Morro do Adeus:

“Eu até acredito no que estão falando sabe? No perigo do vírus e tal. Mas não tenho renda então tenho que ir trabalhar. E ao sair e ver as pessoas lotando os bares me sinto um tolo.”

Francielly Brito, 26 anos, Olaria:

“Nossa eu tô muito preocupada mesmo. Mudei minha rotina por inteiro. As aulas na faculdade agora são online. Só vou a rua em necessidade porque minha mãe é hipertensa então morro de medo de transmitir algo pra ela.”

Viviane Reis, 22 anos, Grota:

“Eu to fazendo o que posso. Mas não to paranoica como muitos. Acho que isso logo irá passar.”

Mariana Fernandes, 27 anos, Penha:

“Tem sido muito difícil. Me privar de estar com quem eu gosto pela saúde de todos e a grande maioria brincando e fazendo festa. Pessoas morrendo, outras agonizando nos hospitais e nas filas da Caixa, mas a maioria segue fazendo piada. Torço pra que isso passe logo, mas temo que ainda demore.”

Luciana Souza, 20 anos, Penha:

“Sendo bem sincera eu não to bem fazendo o que deve. Não tem como ficar em casa o tempo todo. Eu preciso ir na rua fazer minhas coisas e nem sempre tenho como comprar álcool gel. Você precisa escolher entre se cuidar e comer, sabe?”

Bruno Borges, 25 anos, Olaria

“A situação nas comunidades próximas é bem difícil como sempre foi. Mas, essa movimentação de ajuda ao próximo cresceu muito neste período. É bem bonito vê a comunidade se ajudando. Jovens saindo de suas casas para ajudar aqueles que hoje estão vulneráveis.”

Thamara Rosa, 25 anos, Vila Cruzeiro

“Com muita dificuldade, cerca de 80% da população não está levado a sério. Falta de água algumas vezes durante alguns dias, falta de coleta de lixo. Tudo muito ruim e dificultando nossas vidas, mas sigo tentando.”

 

Monique Zuqueto, 25 anos, Vila Cruzeiro

“Cara, aqui parece que nada está acontecendo sério. Todas as crianças nas ruas, os botequins abertos e com gente. Tem meio que baile, mas alguns se cuidam e presa o isolamento, anda de máscara na favela. Até bandido (risos) anda de máscara.”

 

Texto: Jéssica Marinho

Depoimentos concedidos via mensagem por WhatsApp e Facebook. Respeitei a ortografia conforme a escrita do autor.

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