Governo pede apoio para vacinação de adolescentes nas escolas contra o HPV e a meningite


Com baixa adesão de vacinação entre adolescentes, o Ministério da Saúde reforça em apelo às escolas para a retomada da campanha de vacinação de doses contra o HPV (Vírus do Papiloma Humano) e a meningite. A ideia é lançar um vídeo convocando cerca de 10 milhões de adolescentes a se vacinarem e aumentar a atuação nas redes sociais contra mitos e notícias falsas relacionadas ao tema. “O que é colocado nas redes sociais são informações sem evidência científica, mitos que acabam circulando de forma mais forte”, afirma a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues. “Queremos combater [esse mitos e notícias falsas] com informações verdadeiras”, relata.

A vacina contra o HPV é ofertada há quatro anos no Sistema Único de Saúde (SUS), entretanto, o seu principal público alvo – os adolescentes – continuam em baixa. Atualmente, apenas 48,7% das meninas de 9 a 14 anos, a quem a vacina é recomendada, já tomaram as duas doses necessárias para proteção. Se considerada apenas a primeira dose, o índice é de 79%. A meta, porém, era atingir ao menos 80% do público-alvo –parâmetro ideal para a estratégia ter sucesso como política pública. Entre os meninos de 11 a 14 anos, outro público ao qual a vacina passou a ser ofertada no ano passado, a adesão à vacina também tem sido baixa: apenas 43,8% já tomaram a primeira dose. Para o ministério, pesam nesse cenário tanto mitos e boatos disseminados sobre a vacina quanto a dificuldade em imunizar adolescentes, problema também registrado em outros países.

“É um público que dificilmente conseguimos levar aos postos de saúde, nem sozinhos nem acompanhados pelos pais”, afirma o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Segundo ele, a pasta pretende agora fazer uma nova tentativa de retomar a parceria com as escolas para ofertar a vacinação. A ideia é aumentar a pressão sobre prefeituras e pedir apoio ao Ministério da Educação para organizar a programação junto às escolas. Essa, porém, não é a primeira vez que o governo anuncia que pretende voltar a ofertar a vacina nas escolas. Questionado, Barros admite que houve menor adesão no ano passado, mas atribui a dificuldade em retomar a parceria ao fato do programa Saúde na Escola ter sido firmado após o início do ano letivo.

Meningite C

Além do HPV, a ideia é que escolas e unidades de saúde imunizem adolescentes de 11 a 14 anos também contra a meningite. No ano passado, foram vacinados 2,3 milhões de adolescentes de 12 e 13 anos contra a doença —o público-alvo, no entanto, era de 7,2 milhões. A partir deste ano, a vacina passa a ser ofertada também para meninos e meninas e 11 a 14 anos, daí os cálculos que apontam a necessidade de vacinar até 10 milhões de adolescentes.

A medida segue mudança anunciada em 2017, quando a pasta alterou o esquema de vacinação contra a doença, incluindo a oferta de uma dose de reforço também na adolescência. Antes, a vacina era indicada apenas para crianças, com uma dose aos três meses, outra aos cinco meses e um reforço de 12 meses a até 4 anos.

Segundo o ministério, a oferta de uma dose extra ocorre após estudos apontarem que, com o passar dos anos, a proteção tende a diminuir daí a necessidade de manter a imunização por meio de uma nova dose.

Fonte: Folha de São Paulo

 

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