Governo avalia implementar exame para hepatite C em todas as gestantes do SUS


A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avalia a possibilidade de ampliação do diagnóstico para hepatite C em gestantes do SUS. Isso porque, segundo o Conitec, há evidências de que mulheres grávidas diagnosticadas com a doença estão sob maior risco de piores desfechos maternos e neonatais, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, hemorragia e parto prematuro. “A proposta de rastreamento no primeiro trimestre de gravidez busca intensificar ações para ampliação da testagem, oferta de tratamento e prevenção da transmissão vertical de hepatite C, quando mães infectadas transmitem para os filhos, na perspectiva da eliminação da doença como problema de saúde pública”, anunciou o Conitec, através de sua página oficial.

Então, após estudos iniciais feitos pela própria Comissão — com o objetivo de avaliar a eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário da medida —, foi aberta uma consulta pública sobre o tema nesta quinta-feira (18). Até o dia 6 de julho, o “Relatório de Testagem Universal de Testagem Universal para Hepatite viral C em Gestantes no Pré-natal”, está aberto para receber opiniões e contribuições técnico-científicas. Segundo o Ministério da Saúde, as contribuições irão colaborar para subsidiar a decisão de incorporação dessa conduta ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o tratamento de hepatite C e coinfecções do MS.

A demanda partiu do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Dados do boletim epidemiológico atualizado no ano passado pelo departamento indicam que, de 1999 a 2018, foram notificados no Brasil 359.673 casos de hepatite C. Atualmente, a conduta para a detecção de hepatite C em gestantes depende da pesquisa de fatores de risco pré-existentes como: infecção pelo HIV, histórico de uso de drogas ilícitas, antecedentes de transfusão ou transplante antes de 1993, mulheres submetidas a hemodiálise, com elevação de enzimas sem outra causa clínica evidente e profissionais de saúde com história de acidente com material biológico.

Mais sobre a proposta

Esses exames serão realizados principalmente no nível primário de atenção à saúde na primeira consulta de pré-natal, em conjunto com os testes já recomendados para HIV, sífilis e hepatite B (HBV). As gestantes infectadas serão encaminhadas para os serviços de saúde adequados de acordo com o quadro clínico para acompanhamento, realização de exames complementares e tratamento após o parto.

Os recém-nascidos também serão testados em momento oportuno e acompanhados para a realização dos procedimentos em saúde. A estratégia de rastreamento foi pactuada no Plano Nacional de Eliminação da Hepatite C, no qual se identificam as crianças nascidas de gestantes infectadas por HCV como grupo prioritário. A adoção do rastreamento estaria associada a um incremento de R$ 49 milhões por ano no orçamento do Ministério da Saúde, principalmente em função do alto custo dos tratamentos.

Hepatite C

A infecção pelo vírus da hepatite C ocorre através do contato com sangue infectado como em uma transfusão de sangue, no compartilhamento de material para uso de drogas (seringas e agulhas), higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam), na realização de tatuagem e colocação de piercings. Também pode ocorrer por via sexual, quando não há uso do preservativo durante relação com uma pessoa infectada. A mulher ainda pode transmitir a doença para o filho durante a gravidez.

Na maioria dos casos, os pacientes não têm sintomas, o que dificulta o diagnóstico. Na ausência de tratamento há chance de que 60% a 85% dos casos se agravem. Cerca de 20% evoluem para cirrose ao longo do tempo. Os óbitos por hepatite C são a principal causa de morte entre as hepatites virais. O número de óbitos devidos a essa infecção vem aumentando ao longo dos anos em todas as regiões do Brasil. Em relação as gestantes, estima-se que a prevalência no Brasil varie entre 0,2 e 1,4%.

Fonte: Galileu

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