“Eu não acredito no cristianismo hegemômico, mas eu acredito e me faz bem pensar no Cristo como um homem negro”, afirma o ativista Jean Vinícius que ainda reflete sobre racismo, afetos, LGBTs, HIV/AIDS e outros assuntos


Paulo Freire sempre trabalhou com a proposta da Pedagogia do Oprimido. Isto é, para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno e levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. Tal qual o patrono da educação brasileira, o ativista Jean Vinícius, de 29 anos utiliza-se dos ensinamentos literários, do movimento social e de suas próprias experiências para entender o outro e libertar-se das amarras que queiram prendê-lo.

Morador de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ele conhece bem o que lidar com opressões diárias e a ausência de poder público e serviços. “É difícil (ser um jovem na BF) porque é um ambiente hostil nas mais variadas formas. O acesso aos equipamentos de cultura é complicado e não existe, no geral. As relações elas são sempre pautadas em muito racismo, machismo, homofobia. É um ambiente, fundamentalmente, pobre. Então é difícil viver lá”, lamenta. E completa: “Sinto que existe uma falta de expectativa de melhora. As pessoas que vivem lá num ambiente empobrecido, elas não tem a expectativa de que em algum momento aquele ambiente vá melhorar a ponto de que essa melhora impacte de maneira significativa na vida delas. Então a cidade não funciona, é empobrecida, é violenta”.

Violência essa que ele sente não somente com os encartes de jornais e noticiários de televisão, mas já viveu própria pele. “Eu já fui assaltado algumas vezes dentro do transporte por voltar tarde pra lá. A última foi no meio desse ano voltando de um atividade. Eu voltei pra casa de madrugada e antes de chegar o coletivo foi assaltado”, resigna-se ele declarando ainda que a falta de mobilidade urbana é outro agravante de sua cidade e do estado, uma vez que “o transporte ele é pensado, pura e estritamente, pra uma lógica de tirar as pessoas daquele lugar, pra levar pra outros lugares, pra que elas trabalhem e sejam exploradas. Não existe uma perspectiva de disponibilizar serviço público de qualidade para as pessoas”.

Em uma hora, aproximadamente, de conversa nota-se o quanto Jean Vinícius pensa antes de falar. Essa característica imprime nele uma temperança peculiar, de quem reflete e não fala sem escolher bem as palavras. Mais do que isso: alguém que fala com a propriedade diante de tudo aquilo que já viveu. Vivência essa que corta seu gênero, sua raça e sua sexualidade em uma só. E que não são fáceis de interseccionarem-se.

Família & Sexualidade: afeto embrutecido

Filho único de pais separados, desde muito cedo Vinícius aprendeu a conviver com o embrutecimento do afeto. “eu sou de uma família pobre, minha mãe é empregada doméstica, então a gente nunca teve muito tempo pra fazer coisas que a gente pressuponha que são importantes pra viver bem. Como sair, ir ao shopping, sair pra bons lugares pra comer. A gente nunca teve tempo pra isso porque a gente nunca tinha condições, então a dimensão do afeto ela sempre ocupou uma posição muito subalterna. Poucas recordações que eu tenho de um momento familiar assim, onde eu pudesse enxergar alguma expressão de afeto, era quando estávamos na sala sentados e assistindo TV. Minha mãe sempre gostou de novela e eu sempre gostei muito também por conta disso. Então esses eram o momento onde a gente sentava, conversava, comia alguma coisa e assistia TV”, conta ele. E complementa ao afirmar que sua “a questão da homossexualidade potencializa isso. Eu acho que como a maioria dos gays, é (uma relação) distante. Como hoje eu sei que não é uma experiência exclusiva, a maioria dos meninos como eu passa por isso”.

Outro fiel dessa balança atende pelo nome de religião. Criado desde muito pequeno em seio evangélico, o ativista revela que a culpabilização e o sofrimento por não atender as exigências esperadas pela sociedade e pelos escritos sagrados era gritante. “ (Eu)estava inserido num contexto de muita religiosidade então, já na adolescência, eu sofria porque na minha compreensão – naquele momento – eu estava indo contra a criação da minha natureza. Então me interessar por outros meninos era um indício de que algo estava errado em mim. Então eu chorava muito durante a minha adolescência, eu cheguei a pensar em suicídio algumas vezes. Eu lembro que ia pra igreja – evangélica – e chorava nos cultos, e ia pra casa, entrava no meu quarto e chorava. E quando eu tinha entre 16 e 18 anos eu fui submetido no que hoje eu entendo como ‘pseudo cura’. Então houve um momento na minha adolescência onde a minha mãe revelou o problema que o filho dela tinha pra pessoas da comunidade cristã. E aí, em alguns momentos, algumas pessoas foram até nossa casa na época e oraram pra que eu fosse liberto de alguma coisa, que eu entendi que era uma coisa ruim, um demônio, um espírito maligno”, revela.

Diante desse turbilhão de situações e sentimentos, natural que não fosse das mais fáceis a tarefa de conviver saudavelmente com a homossexualidade. Indagado sobre quando ocorreu a ‘virada’ nesse aspecto, Jean Vinícius afirmou o seguinte: “eu fui resolvendo as questões de maneira gradativa. Então eu admiti pra mim mesmo que eu era gay, que eu sou gay, quando eu tive meu primeiro contato com um rapaz – que foi de 19 pra 20 anos. Ele era um amigo com quem eu fiz, já pro final da minha adolescência, e a gente ficou. Ele ficou muito assustado – ele é evangélico – e foi quando, de fato, eu entendi que aquela era minha natureza e eu não ia poder mudá-la, porque era por ela que eu sentia desejo. E eu fui me elaborando enquanto gay gradativamente, tendo contato com outros meninos, fazendo umas coisas”.

Um novo mundo foi se abrindo diante de seus olhos e experiências: as idas para as boates LGBTs – “a primeira boate que eu conheci foi a Cine Ideal, na Praça Tiradentes” -, a vida sexual cada vez mais ativa com outros rapazes, o ingresso na Aeronáutica etc. Mas e sua mãe, como reagiu a tudo isso? “Com 20 pra 21 anos as questões de ser gay e me elaborar foram ficando mais fortes, a ponto de as relações familiares com minha mãe passar por um processo de tensão maior. Eu fui me elaborando enquanto gay e isso foi ficando mais forte na questão da estética, de como eu me comportava, eu atendia os telefonemas dos rapazes e eu tinha que sair da sala. Então com 22 pra 23 anos eu resolvi sair de casa. Porque a gente estava numa situação chegando ao insustentável de muitas tensões. Eu me sentia, na presença dela, extremamente oprimido porque – hoje um pouco menos – minha mãe é uma mulher extremamente dura na forma de lidar. E aí foi isso, eu saí de casa porque estava já num momento de muita tensão”, advertiu.

Atualmente, a relação não tem maiores floreios, mas também não é das mais guerreadas. “(Hoje) é mais tranquilo assim, a gente vive – na maioria das vezes – num silêncio. A gente se dá bem, mas não toca em determinadas questões. Até uns três anos atrás ela me perguntava sobre namoradas, mas hoje ela não me pergunta mais, porque ela já compreendeu que eu não vivo uma fase, que eu não vou voltar pra igreja. Porque na compreensão dela haveria uma “reversão” desse processo, eu voltaria a ter uma outra identidade – que nunca foi de fato minha, mas enfim”, resigna-se.

No tocante a religiosidade, apesar de não praticar nenhuma vertente, o jovem ainda tem suas crenças. Mas não necessariamente convencional. “Hoje eu não pratico nenhuma religião. Eu não acredito no cristianismo hegemônico, mas eu acredito e me faz bem pensar no Cristo como alguém que se proponha a ser, a cuidar das pobres e excluídas. Me faz bem pensar nele. Inclusive em pensar em Cristo como um homem negro”.

Representatividade e Dilemas do meio LGBT

Quando a pauta gira em torno das questões relativas a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) Jean Vinícius tem opiniões bem formadas sobre o assunto. Com o advento cada vez maior e mais uniforme desta população na sociedade e também na mídia, cresce também a influência do movimento LGBT. O que para ele é fundamental.

Eu acho que há um grande processo assim de politização do movimento LGBT. Acho que ao longo dos últimos anos, especialmente o movimento muito organizado pelos mais jovens, fez com que as identidades de expressão sexual e identidade de gênero desviante das normas criasse um caráter mais político e hoje culmina com mais pessoas se assumindo LGBT ou não heterossexuais.  O movimento LGBT tem um papel fundamental porque é ele que promove as tensões no campo político e na reivindicação de direitos e na inserção de uma série de questões e aí a galera mais jovem tem a possibilidade de se reconhecer, cada vez mais, em outras pessoas”, afirma.

Mas se hoje novas gerações já tem espelhos suficientes para se enxergarem, antigamente a coisa era totalmente diferente. E, muitas das vezes, problemática. “Eu lembro que na minha adolescência as minhas duas referências de homens gays eram muito catastróficas. Uma era o Clodovil Hernandes, que era uma bicha branca com um discurso de direita e tinha posicionamentos machistas, racistas também, enfim. Era alguém que não era amado nem pela esquerda nem pela direita, mas era alguém adorado pelos conservadores tipo “vamos aceitar esse indivíduo porque ele reitera nossas narrativas”.

E havia uma outra figura que, inclusive durante a minha adolescência quando eu era vítima de homofobia eu era muito associado a figura dela, era do Jorge Lafond da Praça é Nossa, que era um gay alto e fazia um papel lá que hoje a gente compreende que também era um racismo recreativo – óbvio, também pautado pela homofobia, um misto de racismo e homofobia”, fazendo referência a personagem Vera Verão.

Jean Vinícius também critica, em certa parte, o uso capital que a mídia emprega sob questões relativas à diversidade sexual, “de incorporar todas essas questões e fazer com que elas percam o seu valor político e fiquem estritamente ligadas a questões de dinheiro, de capital e acúmulo de bens.”

Mas como todo movimento social, o meio LGBT também tem divisões internas claramente sabidas e muitas das vezes difíceis de serem equacionadas. Na ótica de nosso entrevistado, a problemática tem diversas raízes. “Eu acho que tem várias coisas. Eu penso muito em estigma como um processo que ele se dá de fora pra dentro, mas ele também se dá de dentro pra fora. Então o fato de pessoas gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos terem problemas entre si, muitas vezes se dá porque a gente de fato vive numa sociedade que nos instrumentaliza pra ser pessoas violentas, a gente vai reproduzir entre os nossos também essa violência. Eu acho que parte dessas tensões se dá por isso. . Então, por exemplo, significa dizer que pessoas LGBTs brancas em vários momentos vão ter condutas, posturas, ideias discriminatórias em relação a pessoas LGBTs negras. Assim como pessoas LGB e homens vão ter, por vezes, condutas violentas com mulheres travestis, transexuais, lésbicas,bissexuais e as intersexo. Porque fomos instrumentalizados pra isso, mas se dá também porque existem entre nós diferenças e essas diferenças também vão colaborar para que a gente utilize delas pra violentarmos uns aos outros. E na minha compreensão eu acredito que, dentro da comunidade LGBT, as pessoas negras sejam as que mais são discriminadas. Porque elas sofrem uma violência que são associada ao racismo, mas também uma violência que tá entrelaçada com a questão da LGBTIfobia”, expõe.

Sobre esse último fato, quando provocado se o protagonismo majoritário do movimento gay ter se dado e originado a partir de referências brancas seria um dos motivos para esse “gap” entre iguais, Vinícius não titubeia. “Quando o movimento LGBT no Brasil ele se organiza, ele pega como referencial o evento de Stonewall, não é isso? E quando a gente aqui no Brasil, importa todas essas categorias do que seria ser homem gay e mulher lésbica, do que ser trans, bissexual etc a gente desconsidera que elas não são capazes de dar conta de pensar as nossas existências enquanto pessoas negras. Porque elas foram criadas por pessoas brancas e essas identidades vão dar conta somente deles. Então eu acho que tenha sido, talvez, um pouco isso. De maneira mais hegemônica a gente pensa num homem gay e tem retratado a figura de um homem muito másculo, branco, com o cabelo liso, olhos claros, de um estrato econômico mais privilegiado. E são elementos que não correspondem aquilo que nós somos de fato, pessoas LGBTs negras”, contextualiza.

Racismo

Esse é o ponto nevrálgico para Jean Vinícius enquanto cidadão, jovem, homossexual e ativista. Enquanto pessoa negra, aquele que precisa ser nomeado para existir, dificilmente questões de raça vão passar incólume numa sociedade racista como a brasileira. Conhecendo essa realidade desde que nasceu, o ativista reflete contundentemente sobre essa chaga brasileira. Principalmente quando aliada à classe, ao gênero e a sexualidade.

“Hoje foi bem importante pra mim ler um livro bem antigo de um cara chamado Abdias do Nascimento, “O Genocídio Negro Brasileiro”. Nesse livro – eu acho que já falei sobre ele em outros seminários da ABIA – ele amplia a concepção de morte. Ele fala que existem muitas formas de você matar um povo. Então, o que eu entendo hoje é que meu corpo – assim como o corpo de pessoas como eu – ele está submetido a todos esses inúmeros processos de morte. E toda essa questão relacionada a genocídio, encarceramento ou morte relacionada ao negligenciamento, na minha concepção, elas são dispositivos e ferramentas que o Estado se orienta por essa lógica, a lógica colonial, de fomentar a morte desses grupos. Então quando a gente tem, por exemplo, a Polícia Militar ou as polícias matando elas matam porque elas receberam essa autorização. Essa autorização do Estado para matar essas pessoas”.

E continua: “E na prática o que a gente tem hoje, na minha leitura, são tentativas de dar continuidade a tudo isso. “Hoje eu entendo que raça são variantes de todas essas questões. Por que? Porque mesmo quando eu já não era lido como gay, eu estava submetido a estrutura racial. A minha família é uma família empobrecida, uma família negra que foi empobrecida por conta do racismo. Então, mesmo antes de eu sofrer com questões ligadas a homofobia, eu já sofria com o racismo. Porque a cor não pode ser ocultada – eu compreendo assim – diferente da orientação sexual, onde eu entendo que é uma série de performances e alguns performances evidenciam mais coisas, uma masculinidade não hegemônica como outras. Mas ainda assim eu compreendo que raça vem antes porque, no caso das pessoas negras, é o racismo que estrutura a vida delas. E que determina inclusive a capacidade de mobilidade social. Mas enfim, ser negro e gay é muito difícil porque eu entendo que no geral os outros rapazes olham pra mim sempre a partir de um lugar comum, que é o que tipo de sexo eu posso proporcionar pra eles (hipersexualidade). Eu entendo que pra além disso, as minhas relações sejam com rapazes brancos e também com rapazes negros, sejam delicados de serem construídos porque eu sou uma pessoa pobre, então isso também interfere na dimensão do afeto naquela relação”.

E finaliza: “Acho que a gente precisa, coletivamente, pensar em formas de responder todas essas questões num plano institucional. Porque é na máquina pública onde as decisões de poder são decididas, mas eu acho que a gente também precisa se mobilizar coletivamente pra não depositar todas as nossas expectativas as institucionalidades e fazer coisas para além do plano institucional. As pessoas acham que racismo é apenas quando uma pessoa branca fala de determinadas características de uma pessoa de fenótipo negro depreciando-a. E não é. Isso é uma expressão de racismo, mas não é apenas isso. Então acho que a gente vai precisar fazer um grande esforço pra quebrar com essa ideia de que o racismo é apenas um desvio de ordem moral e explicitar o que de fato ele é. Uma lógica que orienta a sociedade. Fazer com que as pessoas brancas entendam qual é o papel delas na promoção dos direitos das pessoas negras, entendendo que elas vão se beneficiar por vários momentos em relação a isso, e que elas também tem responsabilidade no combate dessas desigualdades”.

Prevenção

Trabalhando atualmente no combate a tuberculose com foco na população privada de liberdade – numa iniciativa conjunta da Fiocruz com o Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça e do Programa Nacional Nacional de Controle da Tuberculose – o carioca salienta que “é um trabalho que eu acho importante, mas que infelizmente não dá conta também – na minha percepção – de resolver todas essas questões. Porque as unidades continuam sendo espaço onde as pessoas vão continuar se contaminando. Acho que o desafio é que no contato com essas pessoas eu verifico que elas já estão colocadas em posições onde os corpos delas somam um processo de exclusão e de vulnerabilidades. Então a pessoa tá exposta a tuberculose, mas também tá exposta ao HIV, ela também tá em condições muito insalubres, ela também não tem trabalho, ela também tá num ambiente onde o Estado não funciona, o contato que ela tem é com o tráfico”.

Ainda segundo ele, além do sistema prisional, o sistema de saúde e a prevenção no Brasil também já não funciona. Não como antes. “(Vejo como) muito falida (no Brasil). Falida porque, na prática, ela não é pensada pra promoção dos direitos das pessoas. Por exemplo, ela é pensada como ela se dá pra contenção de doença. E aí ela acaba sendo disfuncional. Então nos últimos anos me parece que a gente teve ganhos importantes em tecnológicas que são fundamentais, mas a gente não teve na mesma medida respostas mais voltadas pro campo da promoção da equidade, e também que fizessem aí, que levassem em consideração o direito da existência das pessoas que já vivem com HIV”.

Apesar de reconhecer que os problemas decorrentes das políticas públicas defasadas nesse setor não tenha começado nesse governo – apesar de potencializada – Jean acredita que há uma outra perspectiva estrutural que faz do HIV/AIDS algo ainda mais difícil de combater no país. “Acho que a AIDS, especificamente a AIDS, ela é muito problemática porque além dela trazer a tona as nossas questões como machismo, racismo, homofobia etc ela também trás todos os tabus relacionados a sexualidade e a morte. Então eu acho que a forma como o Estado trabalha com prevenção, de uma maneira geral, é muito falida”.

E quando o Estado falha, é onde entra – por exemplo – o apoio do terceiro setor (ONGs). Para ele, instituições como a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) e seu Projeto Diversidade Sexual, Saúde e Direitos entre Jovens entre outras iniciativas são sumariamente importantes para quem vive e convive com HIV/AIDS. “Eu acho que tem uma relevância fundamental porque, infelizmente, são essas instituições e essas iniciativas que vão possibilitar com que a dimensão do cuidado ela fique minimamente disponível para os afetados pelo HIV. Então a ABIA, o Pela Vidda e o Projeto (Diversidade Sexual) se propõe a proporcionar encontros. Nessas iniciativas a gente tem a oportunidade de encontrar pessoas que também vivem com HIV, de ressignifcar nossas existências, ressignificar o diagnóstico, de passar por formações políticas, então elas são importantes por isso”.

Especialmente num momento de recrudescimento nos índices de infecções por HIV/AIDS entre jovens no Brasil. Sobre essa dura realidade, o jovem diz que “os jovens estão cada vez mais iniciando sua vida sexual mais cedo, então uma informação talvez seja essa. Acho que também tem a questão da pauperização que não é exclusiva do HIV. Eu acho que é questão de outras doenças, de maneira geral, e a AIDS ela só perpetua isso”. Ele ainda crítica a postura das instâncias governamentais que culpabilizam os jovens e não reconhecem seus erros. “Essa é a desresponsabilização do Estado, num momento onde precariza-se as relações de trabalho, assistência social. E o Ministério da Saúde cria essa narrativa de que as pessoas estão se infectando, de que a juventude está se infectando porque é irresponsável”.

Futuro

O futuro a Deus pertence. E para Jean Vinícius é de esperança. “Eu gosto de pensar no ódio como uma tentativa de freio às mudanças. Eu acho que a gente vive um monte de problemas, mas nunca tivemos tão bem em relação a algumas coisas. Se a gente tem, infelizmente, uma crescente no número de pessoas negras que são mortas, a gente tem também cada vez mais pessoas negras ocupando posições de poder. E as coisas estão muito ruins, mas também tem muita coisa boa acontecendo. Eu espero que no futuro as coisas fiquem muito melhor”.

 

Texto: Jean Pierry Oliveira

Foto: Divulgação/Arquivo

 

 

 

 

 

 

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