Durante 19º ENONG diretor-presidente da ABIA faz duras críticas sobre o ” Fim da AIDS”


Neste domingo representantes da sociedade civil e do governo participaram do 19º Enong (Encontro Nacional de ONGs, Redes e Movimentos de luta contra Aids), em Natal, que tem como tema principal os “Desafios e Retrocessos: onde está a resposta brasileira no enfrentamento a AIDS?”. O evento que se encerra na terça-feira (14/11) tem como objetivo discutir as transformações da epidemia de aids no Brasil e repensar as políticas públicas.  

Com um público de quase 200 participantes coube ao vice-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), Veriano Terto dar as boas-vindas. Em sua primeira fala o professor e ativista alertou que o momento é de resistência e que a luta deve continuar sendo pautada na solidariedade, no diálogo e no respeito. Para Terto o encontro “é um momento de reunir e unir as diversas gerações do movimento social. O Enong também é um espaço de exercício da cidadania. É a voz ativa da sociedade civil em defesa do SUS e dos direitos humanos.”

Já levando em conta o cenário sociopolítico e as políticas de financiamento para a saúde o diretor-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), Richard Parker afirmou em sua primeira participação no evento que: “A biomedicalização da epidemia de AIDS sustenta a falsa promessa do fim da doença. Além disso, a meta da cura é ficção científica, o que vemos são políticas pautadas no neoliberalismo, que podem impedir a disseminação da cura quando finalmente for encontrada. Existe uma cortina de fumaça que esconde a realidade da epidemia”.

Parker acredita que a narrativa sobre o ‘Fim da Aids’ esconde o sofrimento de milhões de pessoas no mundo que ainda não têm acesso aos antirretrovirais ou têm, mas só conseguem medicamentos de ‘segunda-classe’. ” No Brasil, nos últimos anos, tivemos diversos sinais de que a resposta à AIDS não vai bem. O que vemos é o aumento de novas infecções, principalmente em populações-chave, o conservadorismo, a falta de vontade política dos governos, a fragilidade do SUS e de sistemas logísticos de medicamentos e, por fim, as crises nas ONGs/AIDS, ligada a falta de apoio financeiro.”

O especialista concluiu sua participação no primeiro debate afirmando que é preciso lutar para garantir, por exemplo, o acesso à prevenção como um direito de todos e não um privilégio. “Temos que repensar o nosso modelo de atuação, construir alianças e reforçar a importância da mobilização social em rede. Não podemos aceitar o abandono da luta contra o estigma, o preconceito e a discriminação. No início da epidemia, os gays e outros HSH eram chamados de grupo de risco, hoje chamamos de populações-chave, a nomenclatura mudou, mas o estigma continua o mesmo.”

Parker acrescentou que no atual cenário político e econômico os desafios para as ONGs/AIDS são ainda mais profundos e que as organizações não governamentais devem reforçar a importância do ativismo político e da mobilização comunitária.”

Fonte: Agência de Notícias da AIDS
Texto: Jéssica Marinho
Fotos: Vagner de Almeida

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