Desemprego, informalidade e desocupação afetam jovens na América Latina e no Caribe


Existem 9,4 milhões de jovens desempregadas e desempregados na América Latina e no Caribe, 23 milhões não estudam ou trabalham e mais de 30 milhões só conseguem emprego informal. Foto: Reprodução

Altas taxas de desemprego, informalidade e desocupação afetam quase 110 milhões de jovens na América Latina e no Caribe e representam o desafio na elaboração de estratégias eficazes para facilitar sua inserção no mercado de trabalho, disse o escritório regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta segunda-feira (16), citando novos dados de um relatório sobre tendências de emprego.

“O cenário de emprego juvenil na região é preocupante e ficará ainda mais complicado quando for sentido o impacto do coronavírus na economia regional”, disse Vinícius Pinheiro, diretor da OIT para a América Latina e o Caribe, comentando os dados regionais do relatório “Global Employment Trends for Youth 2020: Technology and future of Jobs” (GET Youth 2020, ou “Tendências Globais para o Emprego Juvenil 2020: a tecnologia e o futuro dos empregos”), apresentado em Genebra no começo de março.

Pinheiro explicou que empregos temporários, em regime de meio período ou desprotegidos por serem em condições de informalidade, são os mais afetados pela deterioração da economia. “O coronavírus contagiará os mercados de trabalho e afetará os indicadores de emprego juvenil”, declarou.

“Quando há uma crise, os jovens estão entre os primeiros a perder o emprego, principalmente os na economia informal e que estão em setores como turismo, transporte, comércio não eletrônico e outros serviços nos quais o teletrabalho não é uma opção”, acrescentou ele.

Na América Latina e no Caribe, existem 9,4 milhões de jovens desempregados (as), 23 milhões que não estudam, nem trabalham nem estão em treinamento e mais de 30 milhões só conseguem emprego informal, de acordo com o novo relatório da OIT.

A taxa de participação no mercado de trabalho das e dos jovens, que alcançou 48,7% em 2020, está diminuindo de forma leve, mas contínua, desde 2000, quando era de 53,7%. Isso significa que atualmente existem mais de 52 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos na força de trabalho regional, incluindo as empregadas e as desempregadas, mas que buscam ativamente emprego.

A taxa de desemprego juvenil prevista para 2020 é de 18%. Esse percentual é pouco mais do que o dobro da taxa geral e três vezes maior do que a dos adultos, uma situação que se repete em quase todos os países.

O desemprego é considerado a ponta do iceberg pela OIT, que também destaca a importância de considerar a alta taxa de informalidade de 62,4% para os jovens, 10 pontos percentuais acima do índice entre adultos. Isso implica que a maioria dos empregos disponíveis é precária, com baixos salários, sem proteção ou direitos.

O relatório publicado pela OIT este ano faz uma referência especial ao fato de que um quinto dos jovens são não trabalha nem estuda, o que significa que eles não estão ganhando experiência no mercado de trabalho, nem recebendo renda proveniente de um emprego ou melhorando sua educação ou suas competências.

Na América Latina e no Caribe, 21,7% de todos os jovens não trabalham nem estudam, uma taxa que também experimentou um leve aumento, mas persistente, desde 2000, quando era de 20,1%.

“Uma taxa tão elevada de jovens que não estudam, trabalham ou recebem treinamento é altamente preocupante para a região”, destacou Pinheiro.

Além disso, os dados do novo relatório da OIT refletem uma situação desfavorável para as jovens mulheres no mundo do trabalho.

No caso dos jovens que não trabalham nem estudam, a taxa de mulheres é de 28,9%, o dobro da dos homens, de 14,6%. A maioria das 15,3 milhões de mulheres jovens tem dificuldades para acessar o mercado de trabalho, treinamento ou estudo devido a ocupações não remuneradas em casa.

As diferenças de gênero na região também são visíveis no desemprego, pois a taxa de jovens mulheres desempregadas é de 22% e está quase 7 pontos percentuais acima da dos homens (15,2%) em 2020.

O diretor regional da OIT destacou que “a falta de oportunidades de trabalho decente causa desânimo e frustração entre os jovens, o que pode até ter um impacto na governança e afetar o desenvolvimento social da região, porque, em muitos casos, afeta as trajetórias de trabalho durante toda a vida”.

“Especialmente em um contexto de provável retração da demanda causada pela pandemia da COVID-19, é essencial promover medidas de estímulo econômico voltadas para os jovens”, acrescentou Pinheiro.

“Temos que redobrar nossos esforços para criar oportunidades de emprego produtivo adequado para a próxima geração de trabalhadores”, destaca o relatório da OIT.

Medidas de políticas integradas e eficazes são cruciais. As ações do lado da oferta (treinamento e educação) são importantes, mas não suficientes, a menos que sejam acompanhadas de medidas igualmente firmes para aumentar a demanda por mão de obra jovem, acrescenta o relatório da OIT.

Relatório ” Tendências Globais para o Emprego Juvenil 2020: a tecnologia e o futuro dos empregos 2020” (em inglês)

Página da OIT sobre emprego juvenil (em inglês)

Fonte: ONU Brasil

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