Ceará é o sétimo Estado em casos de tuberculose no Brasil


Entre 2015 e 2018, o Ceará apresentou crescimento de 11,95% nos diagnósticos confirmados de tuberculose, passando de 4.014 para 4.559 ocorrências no período analisado. Os números, compilados pela base de dados Datasus, do Ministério da Saúde, colocam o Estado como o sétimo do Brasil em número de casos confirmados, além de ser o terceiro da região Nordeste. As informações foram coletadas pelo Núcleo de Dados do Sistema Verdes Mares.

Nos quatro anos, foram 16.883 ocorrências no Ceará – que fica atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e Pará. Infecciosa e transmissível, a doença afeta principalmente os pulmões e pode levar à morte. O único tratamento disponível é ofertado somente através do Sistema Único de Saúde (SUS), com duração mínima de seis meses e tomada diária de medicamentos.

De janeiro a 21 de dezembro, 2019 teve 3.543 casos confirmados da doença no Ceará, de acordo com a planilha de notificação compulsória mais atualizada da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). No mesmo período, foram informados 83 óbitos por causa da doença. A Capital lidera no Estado, com 1.531 casos confirmados e 36 óbitos. Em seguida, Itaitinga aparece com 277 confirmações e duas mortes.

Subdesenvolvimento

Outras quatro cidades cearenses tiveram mais de 100 casos: Sobral, Caucaia, Juazeiro do Norte e Maracanaú. O levantamento, porém, ainda pode ser atualizado. Em boletim sobre a doença divulgado em 2019, a Sesa reconhece que, no Estado, um dos principais entraves para o controle da tuberculose é a “falha no exame dos contactantes” (pessoas de convívio). Apenas 51% do total de casos novos da doença foram examinados em 2018, enquanto a meta do Ministério da Saúde é de 100%.

O infectologista Roberto da Justa, especialista na doença, explica que ela é uma das que mais matam no mundo, junto com Aids e a malária. Ainda assim, é “esquecida e tem pouca visibilidade porque é do contexto da pobreza, do subdesenvolvimento, que atinge uma população ainda vivendo com desnutrição, em aglomerados urbanos não planejados”. “É um problema gravíssimo”, resume o médico.

No entanto, a tuberculose é de difícil prevenção porque não tem sazonalidade específica, ocorrendo em todo o ano. Justa explica que os sintomas podem ser confundidos com os de outros problemas crônicos, como tabagismo, enfisema e asma, daí a necessidade de se realizar exames em quem apresenta tosse com mais de duas semanas. “Uma parcela significativa fica meses sem a doença, tossindo e transmitindo para outras pessoas. Essa demora no diagnóstico é preocupante”, pontua.

Eficiência

Em 2018, a Sesa lançou o Plano Estadual de Vigilância e Controle da Tuberculose para o período de 2018-2020. Entre as principais metas da iniciativa, estão ampliar o percentual de cura de 58,9%, aferido em 2016, para 70%. Em relação ao porcentagem de abandono do tratamento, o plano pretende reduzir de 10,3% para 7,5%. Outros indicadores visam a redução de mortalidade e incidência.

O Brasil também se organiza para erradicar a doença até 2035, mas, segundo o infectologista Roberto da Justa, ainda precisa “trabalhar muito” porque as metas são “ambiciosas”, principalmente no diagnóstico precoce e no tratamento de todos os casos. “Também temos que melhorar a eficiência do sistema de saúde e capacitar os profissionais em identificá-la mais rapidamente, além de melhorar condições de vida, moradia e nutrição. São desafios grandes”, considera.

A principal maneira de prevenir a tuberculose em crianças é com a vacina BCG. Outra medida de cuidado, conforme o Ministério da Saúde, é manter ambientes bem ventilados e com entrada da luz solar. O órgão também indica maior risco de adoecimento entre indígenas, pessoas privadas de liberdade, vivendo com HIV/Aids e em situação de rua.

Conforme a Sesa, qualquer Unidade Básica de Saúde do SUS pode diagnosticar a tuberculose. Já o tratamento só é encerrado após o profissional de saúde confirmar a cura por meio de exames.

 

Fonte: Diário do Nordeste

Foto: Alex Costa

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