Em meio a doenças e dúvidas, só 3,5% dos adolescentes vão ao urologista


Foto: Divulgação#Hs

RIO — Com 16 anos, Pedro (nome fictício) decidiu ir ao urologista . Foi ao consultório sem nenhuma queixa, mas saiu de lá com o diagnóstico de varicocele , doença que é a principal causa de infertilidade masculina. Acompanhou com o médico a evolução do caso e agora, dois anos depois, vai fazer a cirurgia.

Pedro é um caso raro: segundo pesquisa conduzida pelo psiquiatra Jairo Bouer com 3.305 adolescentes com idades entre 13 e 17 anos, apenas 3,5% dos garotos vão ao urologista, enquanto 42,1% das meninas se consultam no ginecologista .

Para incentivar a ida ao médico especialista na saúde do homem, a  Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) realiza a II edição da campanha #VemProUro de 16 a 21 de setembro, com foco no adolescente.

— Menino não precisa de assistência só porque não menstrua? Eles têm as mesmas dificuldades: têm aparelho reprodutivo, passam por transformações inerentes à idade e, com o início da vida sexual, enfrentam os riscos de doenças e da gravidez indesejada. É machismo da sociedade pensar que menino não precisa de assistência porque já sabe tudo — afirma o urologista e coordenador da campanha da SBU, Daniel Suslik Zylbersztejn.

De acordo com Zylbersztejn, o urologista ainda é visto como o médico que atende o homem mais velho, que cuida dos problemas relacionados à próstata . Porém, muitas doenças podem surgir na adolescência, como a varicocele. O problema, que é indolor e é causado pela dilatação das veias nos testículos , surge na puberdade e, quanto mais tempo demora a ser tratado, pior é para a produção de espermatozoides.

Mesmo a fimose , que é a dificuldade ou incapacidade de retrair o prepúcio, muitas vezes só se torna uma questão quando a vida sexual começa. Outra doença comum nessa fase é a  balanopostite , uma inflamação da glande e prepúcio, causada por uma infecção fúngica.

Assim como as mulheres têm uma relação de confiança com seus ginecologistas, que servem de referência para a saúde, o urologista também pode dar orientações importantes para a saúde desse jovem.

Zylbersztejn diz que é a oportunidade de falar sobre vacinas (a do HPV pode ser dada aos 11 anos), informar sobre como usar o preservativo, alertando não só para a importância de evitar a gravidez indesejada da parceira, como do vírus HIV , e de outras DSTs , como gonorreia, clamídia e sífilis . Pode até dar orientações sobre obesidade, álcool e fumo, e ouvir desabafos sobre bullying, ou suicídio.

— Essa medicina preventiva é o futuro da medicina — afirma.

Dúvidas sobre sexo 

A ideia da campanha surgiu quando Zylbersztejn fez doutorado e, para sua pesquisa, entrevistou mais de 400 adolescentes. Foi bombardeado por perguntas que iam do tamanho do pênis ao nascimento de pelos pubianos.

— Comecei a perceber que esses meninos não tinham para quem perguntar. Depois que saem do pediatra, ficam desassistidos e acabam buscando informações, seja na internet ou com um amigo que sabe menos do que ele. As informações chegam de forma errada, e ele não consegue filtrar.

Jairo Bouer, que tem um canal com mais de 31 mil inscritos no Youtube, sabe bem a quantidade de dúvidas que os adolescentes têm.

— O vídeo mais visto do canal é a respeito de bolinhas no pênis. Eles ficam encanados que seja uma doença sexualmente transmissível, mesmo que nunca tenham feito sexo. Isso mostra o desconhecimento do corpo. Mas não vão ao médico, me mandam perguntas pelo Youtube. Eu sempre digo que quem tem que olhar e responder é o especialista — conta Bouer. — É uma fase de mudanças no corpo, do início da vida sexual, mas eles ainda têm muita vergonha.

Fonte: O Globo

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