DIA DO ORGULHO LGBTI+ ! UMA RÁPIDA REFLEXÃO


No dia 28 de junho 1969, em Nova Iorque, pessoas da comunidade LGBTI exaustas dos diversos ataques, constrangimentos, assédios e agressões físicas provocadas por policiais em locais que costumavam frequentar decidiram reagir e bater de frente com o sistema opressor. Este momento ficou conhecido a “Revolta de Stonewall”, que está completando 49 anos em 2018.

Assim, muitos ativistas do movimento LGBTI passaram a considerar o dia como um marco para a comunidade que unida levantou a bandeira contra todo o descaso e assédio que sofriam e, assim, passaram a considerar o dia 28 de junho como o Dia do Orgulho LGBTI+.

A data é celebrada, mundo a fora, com um intenso calendário de atividades para marcar e reviver esse momento histórico em um momento onde os fatos só demonstram o quanto ainda precisamos avançar no combate as violações de direitos da população, o que torna a necessidade do dia ter um tom ainda mais forte com relação as denúncias.

Orgulho de que? Fica a pergunta para a comunidade LGBTI+ contemporânea e simpatizantes.

Orgulho dos Retrocessos Contemporâneos? Os conservadores em crescimento vertiginoso, afogando todas as agendas políticas públicas que possam avançar em prol da comunidade. Todos os dias um murro em ponta de faca para se conseguir avançar contra essa maré de conservadorismos religioso, homofóbico, machista e milhares de indivíduos com aversão a diversidade sexual.

Orgulho de jovens LGBTI+ sendo expulsos de casa por seus familiares biológicos? Bom ressaltar que há vários tipos de famílias e não é só a biológica que compões esse grupo estruturado na normatividade cotidiana. As famílias escolhidas, pretendidas são os suportes contemporâneos para essa população deletada de seus núcleos familiares sanguíneos.

Orgulho de tantos crimes de ódios contra essa comunidade? LGBTI+ são mortes por causa da omissão das políticas públicas Federal, Estaduais e Municipal. Opressores e assassinos saem pela mesma porta que entra quando chegam a julgamento e como no Brasil das omissões a “Vítima sempre é a culpada”.

O Brasil continua liderando o maior número de assassinados LGBT+ do mundo deixando para traz outros países com as mesmas práticas desprezíveis. Foram registrados no Brasil 153 LGBTI até maio de 2018. Este são os número em Boletins de Ocorrências registrados, pois sabemos que os número de óbitos são bem maiores.

Orgulho de jovens que não conseguem suportar a pressão escolar? A escola para essa comunidade é um Inferno de Dantes. É sapatear em cacos de vidros cortantes. Os enfrentamentos diários levam esses meninos e meninas abandonarem as redes escolares por não suportarem tanta pressão vindas de todas as estâncias hierárquicas e dos próprios alunos. O ambiente da escola que deveria ser acolhedor e o prolongamento da casa desse cidadão e cidadã passa a ser um cárcere sem grades onde o bulling, agressões físicas e verbais, racismo são os ingredientes concretos que as pessoas precisam enfrentar diariamente. Resultado, o abandono em massa do ambiente escolar. Os familiares oprimem, a escola rejeita, a rua espanca e o individuo se anula.

Onde essa pessoa se encontra no  sistema? Em lugar nenhum.

Orgulho de ver toda uma geração se suicidado ou sem direção no seu cotidiano? Jovens nas drogas, nas ruas, na prostituição, desempregados, fora da escola, aliciados pelo trafico de drogas, vampiros sociais. Com esses ingredientes o que lhes sobram são as migalhas que o sistema deixa para eles, assim criando um abismo abissal entre a vida e a morte. No Brasil, em média, 32 pessoas por dia tiram a própria vida, fazendo com que o suicídio continue sendo a segunda maior causa de morte em jovens dos 15 aos 29 anos de idade e a principal entre mulheres dos 15 aos 19. Jovens LGBTI estão cinco vezes mais propensos a cometerem suicídio.

Orgulho de vermos a comunidade LGBTI se infectando todos os dias e hora pelo vírus do HIV e AIDS? São milhares de jovens LGBTI+ se infectando todos os dias e ainda estamos bloqueados por nossos governantes e moralistas de plantões de falarmos em Saúde, Sexualidade e HIV/AIDS dentro do espaço escolar. O dado mais alarmante, entretanto, é que das 4.500 novas infecções pelo vírus HIV em adultos, 35% ocorrem entre jovens de 15 a 24 anos.

Orgulhar-se de que no dia 28 de junho de 2018? A luta continua com agendas engessadas e truncadas, impedidas de avançarem por causa de nossos gestores e governantes.

O momento conservador de nossos representantes executivos e legislativos demonstra o quanto indiretamente o machismo e as padronizações de gêneros ainda se fazem presente nas bancadas políticas. É necessário que a criação e consolidação de políticas públicas comprometidas não apenas com a causa, mas, principalmente, com as vidas de LGBT’s comecem a ser discutidas imediatamente sem quaisquer interesses políticos ocultos, já que em anos eleitorais é comum servimos de alvos para aqueles que figuram sobre nosso arco-íris como chamariz para votos, contudo, cabe a nós cobrarmos nossos direitos assim como fizeram por nós a 49 anos atrás.

O Projeto Diversidade Sexual, Saúde e Direitos entre Jovens acredita que antes de tudo o dia do Orgulho LGBTI deva ser um momento onde possamos reafirmar o nosso afeto, nossa diferença, nossa importância, nossa vida, nossa existência. Desejando sempre que nossas cores sejam prismas para atingir corações ainda obscuros de preconceito, intolerância e ódio.

Texto: Vagner de Almeida e Jéssica Marinho

 

 

 

 

 

 

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